Judite Maria da Silva Alves

Professora e terapeuta familiar; casada com o Pr.Ailton José Alves (presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco); mãe de três filhos (casados), e avó de quatro netos. Apresenta diariamente, há mais de dez anos, o programa “A mulher e seus desafios” pela Rede Brasil de Comunicação. Lidera o trabalho de Círculo de Oração em todo o estado de Pernambuco e coordena as atividades sociais da IEADPE, que mantém oito Centros de Desenvolvimento Integral Vida em várias comunidades carentes na Região Metropolitana do Recife, onde são atendidas mais de 4 mil crianças.

Não seja manipuladora

Por estes dias, pensava em que mensagem traria para vocês, mulheres. Foi quando me veio o desejo de escrever sobre a manipulação. Logo me veio outro pensamento: “Será que fui manipulada ou manipulei em algum momento da vida?” Isso me levou a orar. Não me lembrei de nenhum fato, por isso orei como Davi: “Quem pode entender os próprios erros? Expurga-me dos que me são ocultos” (Sl 19.12). Essa deve ser nossa oração diariamente.

Vamos ao tema da manipulação. Segundo o dicionário de Psicologia da American Psychological Association (APA), a manipulação é o comportamento consciente visando explorar ou controlar outras pessoas através do choro, acesso de raiva, doença falsa, ameaça de suicídio, mentira ou maquinação para obter consideração, atenção ou vantagem especial.

Desde a mais tenra idade, e ainda bebês, aprendemos a manipular. O bebê insiste para ficar sempre no braço, mesmo depois de banhado e alimentado. Ele aprende que, através do choro, pode fazer a mãe desistir de deixá-lo ali. Quando a mãe cede, ele usa aquele comportamento para ter seus caprichos realizados. Ademais, o infante pode ser estragado com os mimos em demasia, presentes a todo tempo e sem admoestação. O resultado dessa formação é um adolescente irreverente, incapaz de lidar com a frustração, que tornou-se um especialista em manipular.

Um exemplo clássico da manipulação é o caso do filho de Davi, Amnom. Ele desejou possuir sua própria irmã e não mediu esforços para satisfazê-lo. Simulou estar doente, implorou ao pai que enviasse a sua irmã para cuidar dele e assim pôs em prática o seu mal intento. Ele abusou sexualmente de sua própria irmã. Seu final foi a morte (2 Sm 13).  

A dissimulação faz parte da manipulação psicológica. Em Gênesis 34, vemos um exemplo disso. Os filhos de Jacó se vingaram dos siquemitas usando a manipulação psicológica. Eles disseram enganosamente: “Poderemos dar a nossa irmã se vocês se circuncidarem como nós”. Os moradores de Siquém não tinham tal costume, mas foram manipulados e aceitaram. O próprio Hamor disse ao povo da cidade: “Esses jovens são pacíficos”. Com essas palavras todos os homens da cidade praticaram a circuncisão. Ao terceiro dia, quando estavam sofrendo fortes dores, Simeão e Levi sorrateiramente entraram na cidade e mataram todos os homens. Essa foi a vingança pela defloração de sua irmã Diná. O resultado foi a chacina de todos os varões daquela cidade.  

Nas famílias onde há filhos e pais manipuladores, há desrespeito e falta de amor. Elas fogem do que a Bíblia orienta: filhos precisam de amor e os pais precisam de respeito. Minha amada, como mãe, você não precisa manipular os filhos para adquirir honra e respeito. É um mandamento bíblico honrar o pai e a mãe e ensinar isso é o suficiente. Não precisamos usar as táticas de sedução de Dalila, que enlaçou Sansão, nem da astúcia de Rebeca, que convenceu Jacó a mentir e enganar o próprio pai e o irmão.

A ira, a indiferença e as ameaças advindas de um espírito controlador não vêm de Deus. Oremos como Davi: “... da soberba guarda teu servo, para que se não assenhoreie de mim; então serei sincero e ficarei limpo de grande transgressão. Sejam agradáveis as palavras da minha boca, e a meditação do meu coração perante a tua face: Senhor rocha minha e libertador meu” (Sl 19.13-14). Não seja manipuladora, seja sincera e confie em Deus: Ele nunca nos decepcionará.

 Judite Alves

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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