A história de Noemi, contada no livro de Rute, é uma das mais comoventes narrativas bíblicas sobre dor, perda e restauração. Em desespero, profunda angústia e total aflição ela exclamou: “porque me chamareis Noemi, pois o Senhor testificou contra mim, e o Todo-Poderoso me tem afligido” (Rt 1.21)
Noemi, cujo nome significa “agradável”, atravessou momentos tão sombrios que pediu para ser chamada de “Mara”, que significa “amargura”. Ela perdeu seu marido e seus dois filhos em terra estrangeira — uma dor que muitas mulheres não conseguem nem imaginar.
Mas Deus, em Sua misericórdia, transformou a amargura de Noemi em alegria, sua solidão em comunhão e sua perda em esperança. A vida de Noemi nos ensina que a amargura pode ser superada quando permitimos que o amor e a providência de Deus curem nosso coração.
A amargura nasce das perdas não entregues a Deus
Noemi sofreu perdas devastadoras — perdeu o lar, o marido e os filhos. Sua dor era real e legítima. O problema não foi sentir a dor, mas deixar que a dor definisse sua identidade. Ela começou a se ver apenas pelo prisma da perda: “porém ela respondia: — Não me chamem de Noemi, a Feliz. Chamem de Mara, a Amargurada, porque o Deus Todo-Poderoso me deu muita amargura” (Rt 1.20).
Mulheres de fé também passam por fases de dor e acabam permitindo que a amargura tome conta do coração. É preciso reconhecer a dor, mas não permanecer nela. O coração amargurado fecha os ouvidos à voz de Deus. Como uma árvore que, após uma poda severa, parece morta, mas volta a florescer na estação certa, Deus também usa as perdas para preparar novos frutos em nossa vida.
A superação começa quando deixamos Deus agir
Mesmo em meio à dor, Deus não abandonou Noemi — Ele enviou a Rute, uma nora fiel, como um canal de amor e restauração. Rute foi o abraço de Deus na vida de Noemi. Desiludida e desesperançosa Noemi mandou Rute voltar para a casa de seus pais, mas “disse-lhe Rute: Não me instes para que te deixe, e me afaste de ti; porque aonde quer que fores, irei eu...” (Rt 1.16)
Deus muitas vezes manifesta Seu cuidado por meio de pessoas ao nosso redor. Quem deseja vencer a amargura precisa permitir ser amado. Não é fraqueza aceitar ajuda — é sabedoria reconhecer que Deus trabalha por meio da Igreja. Há feridas que o remédio não cura, mas o toque de uma amiga de fé, uma oração sincera ou um simples gesto de cuidado são bálsamos divinos enviados para restaurar a alma.
A restauração vem quando reconhecemos a fidelidade de Deus
Deus transformou a amargura de Noemi em alegria. Por meio de Boaz e Rute, nasceu Obede — o avô de Davi e antepassado de Jesus Cristo. O fim da história mostra que a dor de Noemi não foi em vão: Deus usou seu sofrimento para fazer parte da linhagem do Redentor: “então as mulheres disseram a Noemi: Bendito seja o Senhor, que não te deixou hoje sem remidor” (Rt 4.14).
A mulher que confia em Deus pode transformar suas cicatrizes em testemunhos. A amargura se dissipa quando compreendemos que o Senhor continua no controle, mesmo nas perdas. A fidelidade de Deus é maior que qualquer desilusão. Assim como o bordado visto pelo avesso parece confuso e cheio de nós, a vida de Noemi só fez sentido quando vista pelo lado certo — o lado da soberania de Deus.
Querida mulher de Deus, talvez você, como Noemi, tenha passado por fases em que o seu coração se tornou amargo. Mas lembre-se: Deus nunca deixou de estar presente. Ele pode transformar cada lágrima em sementes de uma nova colheita.
Não permita que a amargura defina quem você é. Entregue sua dor a Cristo, permita que Ele cure suas feridas e escreva um novo capítulo na sua história.
Queridas, Deus vos abençoe, até mais!

Dirlei Baptista
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