dirlei baptista

Dirlei Baptista

Magistério Infantil e Fundamental; Bacharel em Teologia; Bacharel em Pedagogia; Licenciatura em Filosofia e Sociologia; Licenciatura em Educação Religiosa; Pós-graduada em Docência do Ensino Superior; Pós-Graduada em Neuro-psicopedagogia; Pós-Graduada em Psicopedagogia Clínica; Pós-Graduada em Neuro-psicopedagogia Clínica e Institucional e Mestranda em Teologia. Casada com o pastor Douglas Baptista, líder da ADMDF e do Conselho de Educação e Cultura da CGADB; Missionária da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Missão do Distrito Federal (ADMDF); Líder da União Feminina da ADMDF e Diretora Acadêmica do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas (IBTECH).

 

Mulher ferida pelo mundo, mas restaurada por Deus

O profeta Jeremias foi até a casa do oleiro e encontrou uma cena marcante. O barro estava sendo moldado nas mãos do artesão. Mas, em determinado momento, o vaso se estragou. Então, o oleiro “tornou a fazer dele outro vaso” (Jr 18.4). Mas, o oleiro não jogou o barro fora, ele recomeçou. 

Significa dizer que o Senhor nunca descarta uma alma ferida. Infelizmente, o mundo vive descartando pessoas machucadas. Neste cenário muitas mulheres carregam a sensação de que suas histórias acabaram. Existem mulheres sentadas nos bancos das igrejas carregando dores escondidas.

O mundo as chama de “quebradas”. Mas Deus as chama de obra em andamento. Existe diferença entre estar quebrada e estar ferida. Quebrada é o que o impacto faz em nossas vidas. Ferida é o que a cura deixa como marca. E marca não nos desqualifica. As marcas provam que em Cristo sobrevivemos.

Deus vê nossa ferida: Ele não desvia o olhar

A Bíblia Sagrada assegura que Deus “sara os quebrantados de coração e liga-lhes as feridas” (Sl 147.3). Contudo, uma das maiores mentiras que a dor produz é a ideia de que Deus se afastou. Por isso, a mulher ferida costuma esconder o coração. Sorri por fora, mas chora e sangra por dentro.

A mulher ferida aprende a servir machucada, aprende até a adorar machucada. Mas Deus nunca menospreza a dor humana. Enquanto a religião legalista afasta os feridos, Jesus se aproxima de quem está invisível. A mulher samaritana tinha um passado complicado. Mas, Jesus não desviou o olhar.

Talvez você tenha passado anos tentando esconder sua dor, fingindo que superou, fingindo que não machuca mais. Mas a cura começa quando você para de fingir. Não existe restauração onde existe negação. O que você esconde diante de Deus nunca é tratado. Mas o que você entrega, Ele transforma.

A ferida vira cicatriz e torna-se testemunha

Após a ressurreição, Jesus disse a Tomé: “põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; chega a tua mão e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente” (Jo 20.27). O Senhor Jesus venceu a morte, mas permaneceu com as marcas. A ressurreição não apagou as cicatrizes. Elas testemunhavam Sua vitória.

Do mesmo modo, a restauração de Deus não apaga nossa história. As marcas dão sentido a nossa existência. Algumas mulheres têm vergonha das próprias cicatrizes. Dos traumas, das marcas de rejeição, de perda, e de culpa. Mas Deus consegue transformar nossas cicatrizes em testemunho.

A mulher que já foi emocionalmente destruída pode se tornar porta-voz de cura para outras. A mulher que já quis desistir pode ser instrumento de esperança. Sua história pode ser a ponte para outra mulher acreditar que existe saída. Suas cicatrizes não provam que você perdeu, provam que você venceu.

Restauração não significa voltar ao que era antes

Muitas pessoas confundem restauração com voltar ao passado. Mas Deus não trabalha assim. O oleiro não tenta colar o vaso quebrado. Ele faz outro vaso. Um vaso novo. Um vaso diferente. Transformado e melhor. Deus não quer apenas devolver o que você perdeu. Ele quer gerar algo novo em você.

Superação cristã não é voltar a ser quem você era antes da dor. É se tornar quem Deus te chama para ser depois dela. José nunca voltou a ser apenas o menino sonhador. Agora ele era governador. Jacó nunca voltou a ser enganador. A dor, nas mãos de Deus, amadurece e melhora nossa identidade.

Então pare de tentar reconstruir relacionamentos que Deus encerrou, portas que Deus fechou, e sonhos que Deus não idealizou para você. Pergunte ao Senhor, o que Ele quer fazer de novo em sua vida. Porque Deus não desperdiça dor. E aquilo que parecia o fim pode se tornar o começo da sua verdadeira história.

Em suma, Deus sara nossas feridas e reescreve a nossa história. A cruz de Cristo é a maior prova de que Deus não descarta o que foi ferido. O Senhor Jesus foi ferido por todas nós: “mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades” (Is 53.5). 

Ele conhece a dor, conhece a rejeição e conhece o abandono. E justamente por isso Ele se compadece de você e sabe como lhe restaurar. Talvez o mundo a tenha chamado de fracassada, quebrada, impura, louca e sem valor. Mas Deus lhe chama de filha amada.

Você não é um projeto falido. Você ainda está nas mãos do Oleiro. E o Oleiro nunca abandona a obra que começa. Conte para Deus a ferida que você tem escondido. Não para Ele saber. Mas para você lembrar que Ele já sabe… e que nunca descartou você.

Queridas, Deus vos abençoe, até mais!

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Dirlei Baptista 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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