Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de trinta anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados”, “Amor e Disciplina para criar filhos felizes” e o mais recente, "Equilíbrio Emocional", todos títulos da CPAD.

Adolescência estendida

A Organização Mundial de Saúde divide a população em três faixas etárias distintas: Jovens – do nascimento até aos 19 anos de idade; Adultos – corresponde à população que possui entre 20 a 59 anos de idade; Idosos – pessoas que apresentam 60 anos de idade ou mais.

Dentro destas faixas temos diversas subdivisões. No início da vida, temos a primeira e segunda infância, a pré adolescência, e a adolescência, seguidas das fases da juventude, fase adulta e meia-idade (45-59 anos). Quanto à chegada da velhice, por exemplo, temos: idoso(a) (60-74 anos), ancião (75-90 anos) e velhice extrema (a partir de 90 anos).

Quero me ater à adolescência, que tem início quando uma parte do cérebro, o hipotálamo, ativa as glândulas hipófise e gônadas, que, entre outras coisas, liberam hormônios sexuais. Curiosamente, estes processos hormonais aconteciam por volta dos treze anos, mas caiu gradualmente no mundo desenvolvido nas últimas décadas até o patamar de 10 anos - consequência da alimentação e dos processos de estresse vivenciados. 

Por outro lado, nos últimos tempos vários estudos estão avaliando estender a fase da adolescência, propondo estender a adolescência dos 10 até os 24 anos de idade! Dentre os fatores que têm feito diferentes organizações defenderem esta extensão, há a análise de que os jovens estão optando por estudar por um período de tempo mais longo, não só até a faculdade, e que esta decisão os faz adiar casamento e maternidade/paternidade. 

A verdade é que a forma como a sociedade tem se organizado quanto à inserção no mercado de trabalho tem ocasionado uma mudança na percepção das pessoas de quando a vida adulta começa. Os filhos permanecem mais tempo na casa dos pais, sendo sustentados pela família de origem, postergando a formação responsável de suas próprias famílias. 

É fácil perceber esta nova organização social. Meus avós paternos eram de Minas Gerais, ajudavam seus pais nas fazendas onde cresceram, e se casaram quando ele tinha 15 anos e ela 13 anos. 

Tiveram 11 filhos, dentre eles o meu pai, que também começou a trabalhar cedo, e se casou com 23 anos. Para eles, a adolescência foi vivenciada conjuntamente com a adoção das responsabilidades do papel de adulto - e tanto os meus avós, como meus pais, a despeito da vida difícil, eram pessoas alegres, dispostas e extremamente felizes, sedimentados em uma vida espiritual ativa com Deus. 

É claro que não é interessante apressar casamentos por conta da idade dos jovens, e possuir uma boa escolaridade define a vida profissional no mundo do trabalho. Mas precisamos estar atentos à infantilidade que temos assistido em adolescentes, jovens e adultos. Muitos têm se tornado inconsequentes, sem motivação para o trabalho, acomodados ao mimos paternos que permitem inclusive vida sexual dentro da casa, e onde muitas vezes são os avós que assumem financeiramente crianças nascidas do sexo casual dos filhos. 

Sabemos que após os doze anos, nos tempos bíblicos, o menino se tornava um adulto jovem, passando a ter responsabilidades maiores e a participar mais ativamente da vida religiosa e social. Samuel foi chamado pelo Senhor por volta dos 12 anos, e sabemos que Jesus, dos 12 aos 30 anos, continuou a viver em Nazaré, onde trabalhou na carpintaria, estudou, frequentou a sinagoga e aprendeu os ensinamentos de sua família. 

A adolescência era marcada pelo aumento da participação na vida religiosa, quando os agora chamados moços passavam a frequentar mais a sinagoga para aprender os ensinamentos religiosos e a lei, e se preparavam para a vida de adulto. Além disso, na mocidade (adolescência) aprendiam a trabalhar e a assumir responsabilidades na família e na comunidade, o que contribuía para a formação do caráter.

Os tempos podem passar. As faixas etárias podem variar. A sociedade pode estar cada vez mais imatura e inconsequente. Contudo, Deus não muda.

As regras divinas permanecem, pois foi Deus quem fez o homem. Ele conhece as limitações físicas, bem como as possibilidades cognitivas humanas. E Ele afirma categoricamente: “Alegre-se, jovem, na sua mocidade! Seja feliz o seu coração nos dias da sua juventude! Siga por onde seu coração mandar, até onde a sua vista alcançar; mas saiba que por todas essas coisas Deus o trará a julgamento.” (Eclesiastes‬ ‭11‬:‭9‬). 

Ensinemos nossos filhos e netos a serem responsáveis, maduros e sensatos. Devem ser amados e cuidados, devem estudar, mas precisamos ensiná-los a crescer, emocional e espiritualmente, cientes de que serão julgados por Deus por todos os seus atos e escolhas.

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Elaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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