Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de trinta anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados”, “Amor e Disciplina para criar filhos felizes” e o mais recente, "Equilíbrio Emocional", todos títulos da CPAD.

Hikikomori - pessoas que vivem sem sair de seus quartos

Sabemos que estamos vivendo o momento chamado por Jesus de O princípio das dores (Mateus 24), onde assistimos, perplexos, nossa sociedade adoecer emocional, física, social e espiritualmente.

O mundo de hoje é competitivo e narcisista, onde o bullying e as gangues ideológicas se multiplicam. Isto faz com que se intensifiquem ainda mais a prática do isolamento e o sentimento crescente de solidão. A pandemia que vivenciamos adoeceu ainda mais os solitários e inaptos socialmente. E o que assistimos é uma incapacidade crescente de administrar a solidão, promovendo adultos imaturos e desequilibrados emocionalmente. 

Evidenciado pela pandemia, que alterou ainda mais a forma da vida social vivenciada pelas pessoas no mundo, um fenômeno chamado Hikikomori tem aumentado muito. Este é um termo japonês utilizado para descrever pessoas que ficam reclusas em suas casas, muitas vezes só em seus quartos, isoladas do mundo, exceto da família mais próxima, por muitos meses ou anos. São pessoas solitárias, em extremo isolamento social que, muitas vezes, ficam anos sem sair de casa.

O termo Hikikomori é utilizado desde 1998, e foi descrito inicialmente pelo psicólogo japonês Tamaki Saito, em seu livro Isolamento social: uma adolescência sem fim. E muito embora inicialmente fosse estudado como um fenômeno cultural, nos últimos anos, e especialmente nos últimos meses, tem sido estudado como uma doença psíquica, fruto de uma combinação de isolamento físico e social, que proporciona sofrimento psicológico que pode durar seis meses ou mais.

Estudos em vários países do mundo, incluindo muitos países da Europa, os Estados Unidos e o Brasil, apontam para o crescimento deste fenômeno. Calcula-se que cerca de 3% da população mundial sofra deste mal, que acomete mais a faixa etária entre 15 e 39 anos, e que atinge homens e mulheres na fase que deveria ser a mais produtiva da vida. Muitos abandonam os estudos, têm uma atitude violenta contra eles mesmos, e desenvolvem práticas como anorexia e automutilação. 

Quanto mais tempo passam isolados socialmente, mais difícil é a reconstrução da interação social. Geralmente desenvolvem ansiedade relacionada a conversar ou a estar com pessoas, se preocupam muito com a opinião alheia e se declaram incompatíveis socialmente.

Nós sabemos que uma das táticas de Satanás para destruir uma pessoa emocional e espiritualmente é o isolamento. Quando conseguimos conversar sobre nossas dores, partilhar sentimentos e dúvidas, ou simplesmente abraçar e ouvir o outro, vamos nos sentindo mais próximos e iguais. Quando  estamos unidos somos mais fortes e vitoriosos: É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se! E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém, manter-se aquecido sozinho? Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade. (Eclesiastes 4.9-12).

Precisamos observar mais aquele filho que se isola na infância, que apresenta dificuldade em se adaptar às pessoas à sua volta, ou que se preocupa em demasia com o que as pessoas pensam dele. Algumas crianças precisam de incentivo, de que montemos uma estrutura social favorável à elas – chamando os amiguinhos da igreja para lancharem em nossas casas, ou programando um dormidão com os adolescentes da igreja, por exemplo.

Como pais e avós, necessitamos cuidar mais dos que amamos, interagindo, conversando e observando a qualidade das suas adequações sociais. As bases para um comportamento arredio e isolado se inicia na infância, e nesta fase ainda há tempo para que os pais promovam e participem mais da interação social. Para tanto, mesmo na adolescência, é importante que nos aproximemos do universo dos nossos filhos, participando de seus hobbies, que podem ser música, esportes ou atividades cognitivas.

Para os filhos já jovens, o caminho é partilhar, conversar e orientar, com amor e firmeza, na escolha para uma vida profissional ativa e satisfatória. Jovens precisam se ocupar, estudar e trabalhar, aprendendo a amadurecer enquanto produzem vivências e pequenos sucessos pessoais. Portanto, ore e insira seu filho no mundo adulto, deixando com que ele cresçam, ao invés de tratá-los como eternas crianças que precisam ser carregadas e mimadas.

Não espere seu filho adoecer para agir. Os espaços da casa devem ser partilhados, os sentimentos precisam ser discutidos, o amor e o respeito devem ser impostos (e os pais precisam ser sempre o exemplo!). O isolamento não pode ser favorecido com os pais levando lanches nos quartos, suprindo todas as vontades, e não cobrando um mínimo de interação de seus filhos, seja em um culto doméstico, num passeio ou em almoços cotidianos em família.

Lembre-se sempre que Deus é relacional. Ele é trino, e espera que nós aprendamos a viver em comunhão uns com os outros, a começar em nossos lares, para que possamos viver em harmonia,  nos céus, por toda eternidade!

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Elaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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