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Flavianne Vaz

Historiadora, Teóloga e Escritora. Pregadora e Palestrante na área de Família e Educação Cristã. Autora do Livro “Liderando Adolescentes” (CPAD) e de Revistas do Currículo de Escola Dominical da CPAD. Articulista do Jornal Mensageiro da Paz e da Revista Ensinador Cristão. Membro da Assembleia de Deus de Bonsucesso (RJ). Casada com Miguel Melo, mãe da Sarah e dos trigêmeos Guilherme, Fernando e Heitor.

 

Marta: entre o serviço e a presença

Introdução

Nesta série, vimos Eva, que caiu, mas recebeu promessas. Vimos Sara, que riu diante das próprias limitações e depois riu de alegria. Vimos Raabe, que se posicionou com coragem antes mesmo de pertencer ao povo da aliança. 

Agora encontramos Marta — não no cenário da queda, nem no ambiente da esterilidade, nem em uma cidade pagã ameaçada, mas dentro de uma casa judaica, exercendo algo profundamente valorizado em sua cultura: a hospitalidade.

Se as outras mulheres nos ensinaram sobre erro, espera e coragem, Marta nos ensinará sobre serviço, humildade e aprendizado.

O peso cultural da hospitalidade

Para compreender Marta, precisamos lembrar o contexto judaico do primeiro século. 

Hospitalidade não era mera gentileza; era dever moral, honra familiar e expressão concreta de fidelidade a Deus. Receber um mestre itinerante como Jesus envolvia responsabilidade social significativa. Preparar comida, organizar a casa, garantir que tudo estivesse digno do visitante — isso não era vaidade doméstica, era compromisso com o Deus e com a comunidade.

Quando Jesus entra em sua casa, Marta assume o papel esperado de uma anfitriã responsável. Ela não está errada por servir. Ela está fazendo o que é correto e honroso.O problema não é o serviço. É o peso que o serviço começa a produzir em seu coração.

O momento da tensão

Enquanto Marta se ocupa com os preparativos, Maria se assenta aos pés de Jesus — postura típica de discípulo. Marta se sente sobrecarregada e verbaliza sua frustração. Ela não murmura em silêncio; ela fala com Jesus. Questiona. Expõe seu incômodo.

A Bíblia não romantiza sua reação. Ela está cansada, talvez irritada, possivelmente sentindo-se sozinha na responsabilidade. Quantas mulheres conhecem essa sensação?

Mas há algo precioso aqui: Marta leva sua queixa diretamente a Cristo. Isso revela intimidade. Ela não abandona a fé; ela dialoga com o Mestre.

Um coração humilde e ensinável

A resposta de Jesus não é humilhação pública, mas correção amorosa: “Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas”. Ele não rejeita seu serviço; Ele realinha sua prioridade.

E o mais bonito é que Marta aprende. Algum tempo depois desse jantar, diante da morte de Lázaro, é Marta quem corre ao encontro de Jesus. 

É ela quem declara uma das mais profundas confissões cristológicas do Novo Testamento: “Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus”.

A mulher que antes estava ansiosa com tarefas agora está firme na fé. Seu coração era ensinável. Ela não ficou presa à correção; amadureceu por meio dela.

O que Marta nos ensina

Marta nos ensina que servir é belo, mas que a intimidade precisa sustentar o serviço. 

Ensina que podemos nos sentir sobrecarregadas sem deixar de amar a Deus. 

Ensina que mulheres fortes também ficam cansadas — e podem levar esse cansaço a Jesus.

A Bíblia não a reduz à “mulher ansiosa da cozinha”. Ela é discípula, confessa Cristo, permanece fiel na dor. Seu erro momentâneo não define sua identidade final.

Conclusão:

A graça que atravessa a história das mulheres 

Eva nos mostrou que a queda não anulou a promessa.

Sara nos ensinou que limitações físicas não impedem o agir de Deus.

Raabe provou que o passado não bloqueia um futuro redimido.

Marta revelou que o coração ensinável nos conduz à intimidade com o Mestre.

A Bíblia não romantiza mulheres. Ela não cria heroínas irreais nem apaga falhas constrangedoras. Ela apresenta mulheres reais — chamadas, falhas, corrigidas, reposicionadas.

E talvez essa seja a maior beleza dessas histórias: nenhuma delas foi perfeita, mas todas foram alcançadas pela graça.

Essa também é a nossa história.Não somos idealizadas pelas Escrituras — somos convidadas. Convidadas a caminhar, aprender, amadurecer e confiar. 

O Deus que começou a redenção no Éden continua escrevendo histórias de graça hoje.

Afinal, a Bíblia não romantiza mulheres.

Ela revela como Deus transforma mulheres reais em participantes de um plano eterno.

Com carinho e fé,

flavianne vaz

Flavianne Vaz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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