A vida com Deus não é marcada por constância emocional, mas por permanência espiritual. Em Salmo 1, somos comparadas a uma árvore plantada junto a ribeiros de águas, que dá o seu fruto na estação própria.
Essa imagem revela uma verdade profunda: existem estações. Nem todas são de flores, nem todas são de frutos visíveis — mas todas são necessárias.
É a partir dessa perspectiva que nasce a série Estações da Alma. Ao longo desses dias, vamos caminhar por fases que toda mulher enfrenta em diferentes momentos da vida. Não têm a ver com idade, mas com vivências. São ciclos que moldam, confrontam, amadurecem e, acima de tudo, nos aproximam de Deus. Porque quem permanece plantada, sempre frutifica — no tempo certo.
E começamos por um lugar sensível, mas extremamente real: a estação que vem depois da dor.
A vida não é feita de uma única estação. Há momentos de crescimento, de colheita… mas também há dias marcados pela dor, pela perda e pela sensação de que tudo precisará começar de novo.
E é justamente aqui que muitas mulheres se perdem — achando que o fim de um ciclo significa o fim da sua história.
A estação “depois da dor” não é um lugar de derrota, mas de reconstrução.
Pode ser o fim de um relacionamento, a saída de um emprego, o fim de uma amizade, um luto familiar, uma frustração profunda, um sonho interrompido ou até um cansaço que a alma já não consegue esconder. É o tipo de fase que ninguém escolhe viver, mas que Deus não desperdiça.
O problema é que, na dor, queremos respostas rápidas, soluções imediatas e sinais visíveis de que tudo ficará bem. Mas Deus trabalha de forma diferente. Nós desejamos garantias de um futuro bom e Deus deseja fé, confiança, mesmo diante das incertezas.
Assim como a árvore do Salmo 1, há processos que acontecem debaixo da terra, longe dos olhos, onde as raízes estão sendo fortalecidas.
Recomeçar exige coragem. Exige aceitar que algumas coisas não voltarão a ser como antes, mas também confiar que novas possibilidades podem nascer a partir disso.
Se hoje você se encontra nessa estação, não se apresse em sair dela. Há algo sendo gerado em você. Há uma nova estrutura sendo formada. Há uma versão mais forte, mais consciente e mais dependente de Deus surgindo em meio aos escombros.
Deus não apenas restaura nossa vida — Ele a ressignifica. Será que você consegue discernir que Deus trabalha através da dor?
Talvez você ainda não veja frutos. Talvez tudo pareça silencioso demais. Mas silêncio não é ausência — é preparação.
Depois da dor, ainda há vida. Depois da dor, ainda há propósito. Depois da dor… ainda há vida!
Toda mulher frutifica — mas cada uma no seu tempo e na sua estação. E, mesmo que não tenha chegado o seu tempo, Ele continua regando você.
Com carinho e fé,
Caminhando ao seu lado em Cristo,

Flavianne Vaz
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