“Lança o teu cuidado sobre o Senhor e Ele te susterá; não permitirá jamais que o justo seja abalado”. Salmo 55:22
Nós, mulheres, vivemos múltiplos papéis e enfrentamos desafios constantes: cobranças internas, expectativas externas, dores emocionais, frustrações e perdas. Diante dessas pressões, o ser humano lança mão de mecanismos psicológicos para lidar com sentimentos difíceis.
Um deles é o mecanismo de defesa da compensação, amplamente estudado pela Psicologia, e que também pode ser compreendido à luz da Bíblia Sagrada.
Na Psicologia, a compensação ocorre quando a pessoa tenta suprir uma fragilidade, dor ou sentimento de inadequação investindo excessivamente em outra área da vida. Por exemplo, alguém que se sente emocionalmente rejeitado pode buscar reconhecimento exagerado no trabalho; quem enfrenta um vazio interior pode tentar preenchê-lo com consumo, controle excessivo, religiosidade rígida ou ativismo constante. Em si, compensar não é sempre negativo; o problema surge quando isso se torna um substituto do cuidado emocional e espiritual genuíno, mascarando feridas que precisam ser tratadas.
A Bíblia nos mostra que Deus conhece profundamente o coração humano e suas tentativas de esconder dores. “O coração é enganoso acima de todas as coisas” (Jeremias 17:9). Muitas mulheres cristãs, mesmo comprometidas com a fé, podem usar a compensação como forma silenciosa de lidar com inseguranças, traumas, sentimentos de insuficiência ou medo de fracassar. Servem muito, ajudam a todos, nunca param, mas interiormente estão exaustas e carentes de cuidado.
Um exemplo bíblico marcante é Marta. Enquanto Maria se assentava aos pés de Jesus, Marta se ocupava excessivamente com os afazeres da casa. Jesus lhe disse: “Marta, Marta, você está preocupada e inquieta com muitas coisas” (Lucas 10:41). Marta não estava errada em servir, mas seu ativismo pode ser entendido como uma compensação: fazer muito para não sentir, para não parar, para não encarar o que se passava dentro do coração.
Outro exemplo está em Lia, que para lidar com a dor da rejeição e falta de amor do seu marido Jacó, Lia procurou compensar o seu sofrimento na área onde podia ter sucesso e reconhecimento que era a maternidade, (mãe de muitos filhos). Tornou-se mãe de seis filhos dos doze Patriarcas de Israel.
Cada filho que nascia dava à ela a esperança de que o seu marido a amaria mais. Quando gerou Rúben ela chegou a dizer: “Agora me amará o meu marido”. Gn.: 29:32. Compensação quando desconectada da confiança em Deus gera ansiedade, comparação e sofrimento emocional.
A Psicologia nos ensina que reconhecer os próprios limites é sinal de saúde emocional. A fé cristã confirma essa verdade ao nos lembrar que não precisamos provar valor algum para sermos amadas. “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Coríntios 12:9). Deus não nos chama a compensar fraquezas com desempenho, mas a entregá-las a Ele.
A Bíblia Sagrada nos convida a examinar o coração com honestidade: Tenho tentado compensar minhas dores com excesso de atividades? Com controle? Com perfeccionismo? Com espiritualidade sem descanso? A cura começa quando permitimos que Deus toque aquilo que escondemos. “Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e Ele te susterá” (Salmos 55:22).
O caminho saudável não é negar a dor, mas acolhê-la, compreendê-la e tratá-la com maturidade emocional e espiritual. Buscar ajuda, dialogar, orar com sinceridade e permitir-se descansar também são atos de fé. Jesus nos convida: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28).
Vamos nutrir a fé, equilíbrio emocional, mental, físico e espiritual, substituindo a compensação inconsciente por uma confiança consciente no cuidado amoroso de Deus, que sara, restaura e fortalece o coração.
Até a próxima, grande abraço.

Sonia Pires
*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).