Na caminhada cristã, há momentos em que Deus parece perto, presente, palpável. Em outros, Ele parece distante, silencioso.
Na série “Vivas em Cristo”, temos aprendido que viver em Jesus não significa viver sem dúvidas, dores ou estações difíceis.
Significa aprender a permanecer mesmo quando não sentimos nada.
O silêncio de Deus costuma ser uma das experiências mais desafiadoras da fé — especialmente para mulheres que oram, servem, esperam e, ainda assim, sentem que suas palavras não encontram resposta.
1. O silêncio que a Bíblia não ignora
O Salmo 13 começa com um clamor honesto: “Até quando, Senhor? Para sempre te esquecerás de mim?” Davi não disfarça sua dor. Ele não espiritualiza o sofrimento. Ele ora.
A Bíblia não romantiza o silêncio de Deus e também não o trata como abandono. O silêncio do Senhor aparece na Escritura como parte do caminho de homens e mulheres que amadureceram na fé.
2. O silêncio como ferramenta de formação
Deus não se cala por indiferença. Seu silêncio tem propósito. Há momentos em que Ele fala para orientar; em outros, silencia para nos conduzir ao amadurecimento.
Habacuque ouviu do Senhor: “A visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado… se tardar, espera.” (Hc 2.3). Ou seja, mesmo quando Deus está trabalhando, precisamos aprender a esperar. E o tempo de espera precisa ser um tempo de fé.
3. Quando não sentimos, o Espírito intercede
Romanos 8.26 nos lembra que o Espírito Santo intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Mesmo quando não sabemos orar, Deus sabe ouvir. Na vida cristã não podemos ser conduzidas pelas emoções, mas sim pela fé na Palavra. Por isso sabemos que mesmo quando a emoção falha, a intercessão continua. Deus está presente e agindo em nós mesmo quando nada sentimos.
4. Permanecer firme no tempo do silêncio
Permanecer firme quando Deus parece silencioso é um exercício diário de confiança. É continuar orando, mesmo sem palavras elaboradas. É manter-se na Palavra, ainda que o coração não responda com emoção. É rejeitar a ideia de que o silêncio seja rejeição ou castigo, lembrando-se de quem Deus é.
Nesses períodos, a fé amadurece, a dependência se aprofunda e o relacionamento com Deus deixa de ser sustentado por sensações para ser firmado em convicções.
O apoio da comunidade cristã também se torna essencial, pois é na comunhão da Igreja que somos fortalecidas durante nossas batalhas. Não subestime os recursos espirituais da convivência comunitária, pois há poder na intercessão dos santos.
O silêncio de Deus não é ausência de amor, mas convite à confiança madura. Essa fase é uma oportunidade que Deus nos dá para fortalecer a nossa fé. Se hoje você não sente, ainda assim confie: Deus continua trabalhando. Você está viva em Cristo — mesmo nos dias silenciosos.
Com carinho e fé,

Flavianne Vaz
*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).