Graça refere-se a um dom ou favor imerecido. A Graça emociona, constrange e ensina, pois ela nos é oferecida sem que sejamos dignos dela. Convivemos com a graça de Deus em nosso cotidiano. E, em sua bondade, Ele nos permite desfrutar de inúmeros momentos de graça ao longo da nossa vida, que são momentos que nos remetem ao grande amor divino, e às suas misericórdias que se renovam a cada manhã.
Em sessões psicoterápicas, há momentos únicos, inesquecíveis, que marcam o ponto de mudança das pessoas: O momento em que um jovem decide abandonar as drogas, a reação das pessoas quando percebem que o abuso que sofrera na infância não foi culpa delas, o momento em que uma criança descobre o melhor método para ela acessar o conteúdo estudado. E ao longo de quase quarenta anos atendendo em consultório, já presenciei inúmeras histórias pessoais, carregadas de graça, que me emocionam até hoje: Votos conjugais sendo renovados, perdão sendo ofertado, conceitos e valores sendo refeitos, prisões emocionais sendo abertas para que sentimentos maléficos pudessem ser libertos.
De forma semelhante assistimos momentos carregados de graça no seio da nossa família. Como não experimentar o sobrenatural quando um filho nasce, tão pequeno e frágil, e é colocado nos nossos braços?
Como descrever a intensidade do amor que sentimos ao olhar para cônjuges que são devotos companheiros de vida, e que nos olham com o mesmo olhar amoroso de quando éramos jovens? Como não se emocionar com os primeiros passos de um bebê? Ou com o momento nostálgico em que percebemos que nossos filhos não são mais crianças, e sim homens e mulheres formados e íntegros?
Quantos de nós já experimentamos livramentos que são pequenas amostras da inesgotável bondade da graça divina? Muitos já saíram ilesos de acidentes no trânsito, outros foram escondidos por Deus em um momento de violência, e tantos outros puderam manter seus filhos com vida quando perderam casas e bens em acidentes climáticos, como enchentes ou furacões.
Há favor de Deus no nosso corpo saudável, em filhos gerados em úteros maternos, no apetite que nos permite suprir as necessidades alimentares diárias. Há graça divina nas portas abertas de emprego, na casa onde habitamos em segurança, nos bens que Deus nos permite desfrutar, no privilégio de voltar para casa em segurança depois de um longo dia de exercício profissional.
E o que não dizer da Graça salvífica, que nos transportou das trevas para a luz, que nos outorga perdão incondicional, que nos garante vida eterna, e nos permite sermos auxiliados, santificados e consolados pelo Espírito Santo que habita em nós?
Precisamos enxergar mais a Graça que nos cobre todos os dias.
Necessitamos agradecer mais pelos atos favoráveis e bondosos de Deus na nossa vida cotidiana. Devemos testemunhar mais sobre a maravilhosa graça a nossos filhos e netos.
E permitamos que a Graça nos ensine: Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. (Tito 2:11-13).
Precisamos gozar a Graça, aprendendo com ela a renunciar impiedades e paixões humanas que devastam nossa vida - e a excelente notícia é que Deus nos oferta a Graça, gratuitamente, como uma ferramenta que nos permite sermos transformados enquanto somos abençoados.
Portanto, sejamos gratos e graciosos. Não merecemos nada. Nem mesmo a vida que gozamos rodeados de tantos favores!

Elaine Cruz
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