O termo Burnout foi popularizado pelo psicólogo Herbert Freudenberger, na década de 1970, e hoje é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um fenômeno ocupacional relacionado ao estresse crônico no trabalho, estando associado a um esgotamento extremo, descrevendo um estado de cansaço físico, mental e emocional profundo, causado por estresse contínuo e prolongado.
Quem tem burnout apresenta um cansaço constante, mesmo após descansar. Isto faz com que a pessoa apresente um distanciamento emocional, com frieza, irritação ou perda de interesse em relacionamentos. A pessoa com Burnout fica tão sobrecarregada que perde energia, motivação e até o prazer pelas coisas que antes gostava. Com o tempo, até mesmo as atividades profissionais são comprometidas, ocasionando um baixo senso de realização, com sentimento de incapacidade ou fracasso constante.
Nos dias atuais, o termo Burnout vem sendo aplicado fora no espaço de trabalho, abrangendo também adolescentes e crianças. E, infelizmente, na infância, está comumente associado com a prática digital.
O burnout digital na infância pode ser definido como um estado de esgotamento emocional, mental e até mesmo físico, causado pelo uso excessivo de telas — como celular, tablet, videogame e computador. E como o cérebro infantil ainda está em desenvolvimento, a exposição contínua a estímulos rápidos e recompensas instantâneas pode afetar a atenção, o sono e a regulação emocional.
São muitos os fatores que causam o Burnout digital em crianças: o uso prolongado de redes sociais e jogos online; o excesso de estímulos (vídeos curtos, notificações constantes); a pressão por desempenho escolar em plataformas digitais; e a ênfase na comparação e competição digital organizada por apps como Instagram e TikTok. Além disso, muitas crianças não interagem mais no mundo real, sem contatos e afetos presenciais de qualidade, além de trocarem o tempo ao ar livre por jogos e acessos a plataformas midiáticas.
O excesso de estímulos digitais produz agitação constante, e frequentemente os pais chamam de “birra”, ou os especialistas de TDAH ou TEA, o que pode ser sinal de esgotamento digital. A superexposição digital pode diminuir a capacidade da criança de lidar com o tédio — algo essencial para o desenvolvimento da imaginação. Além disso, a indisciplina digital ainda causa afinamento do córtex pré frontal, que é responsável pelo foco, pela linguagem e pelo equilíbrio emocional. É por esta razão que a recomendação de especialistas é que crianças menores de 2 anos evitem telas; entre 2 e 5 anos, no máximo 1 hora por dia, sempre com supervisão, e que até os 12 anos a criança passe, no máximo 2 horas por rua, sempre com supervisão.
Todos sabemos que o contato exagerado com redes sociais pode gerar comparação e sentimento de inadequação, o que se torna ainda mais terrível na infância. Afinal, se a identidade da criança começa a ser moldada por curtidas e comentários, sua autoestima torna-se frágil e dependente de aprovação externa.
Quando o ambiente digital ocupa o lugar da instrução, da convivência familiar e da vida espiritual, nossas crianças adoecem! O resultado são filhos com irritabilidade frequente quando ficam sem o aparelho, cansaço contumaz, dificuldade de concentração, baixo rendimento escolar, alterações no sono, ansiedade ou tristeza sem causa aparente, perda de interesse por brincadeiras com familiares ou amigos reais, redução da criatividade e baixa tolerância à frustração.
A infância, segundo as Escrituras, é tempo de formação de caráter e de fundamento: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.” (Provérbios 22.6). Nossos filhos e netos não devem ser entregues ao fluxo automático da cultura, mas precisam ser guiados com sabedoria.
A Bíblia afirma que tudo tem seu tempo determinado (Eclesiastes 3.1). É preciso haver tempo para dormir, aprender, brincar, descansar e também para usar tecnologia. O problema não é a ferramenta, mas a falta de limites e disciplina, gerando o esgotamento mental. Portanto, é importante estabelecer limites claros de tempo de tela (principalmente antes de dormir); Priorizar atividades ao ar livre e esportes; Criar momentos offline em família (refeições sem celular, por exemplo); Estimular a leitura, jogos de tabuleiro e brincadeiras criativas em família.
Pais precisam amar, ensinar, dialogar e marcar presença na vida dos filhos. Devem ser os principais modelos e influenciadores na vida dos filhos e netos. Assim sendo, combater o burnout digital na infância não significa rejeitar a tecnologia, mas restaurar prioridades. Significa estabelecer limites saudáveis, promover momentos offline, incentivar leitura bíblica e fortalecer vínculos familiares.
Cuidar do uso digital é também um ato pastoral dentro do lar. A verdadeira formação não acontece pela hiperconexão, mas pela comunhão com Deus e com a família. E nenhuma tela substitui o discipulado familiar, o abraço, a conversa à mesa ou a oração antes de dormir.

Elaine Cruz
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