Minha mãe tinha o hábito de, pelo menos a cada quinze dias, mudar o lugar dos móveis de casa, especialmente da sala de estar.
Como ela não conseguia arrastar os móveis sozinha, geralmente ela esperava o sábado pela manhã, quando toda a família a ajudava. Meu pai colocava um disco na vitrola, e nós sempre cantávamos enquanto ela decidia como ficaria a arrumação.
Como tudo saía do lugar, era o momento ideal para limpar os cantinhos da casa, e fazer a faxina debaixo dos sofás e dos tapetes: nada ficava perdido ou escondido por muito tempo!
De forma análoga, há os que, em diferentes áreas da sua vida, fazem faxinas eventuais. São pessoas que buscam conversar cotidianamente com seus filhos, que não deixam a barreira do silêncio e do ressentimento crescer no casamento, e que fazem questão de manter os olhos fixos em detalhes dos seus relacionamentos.
Mas existem muitas pessoas que sempre optam por esconder o que incomoda, maquiar o que está errado e “varrer para debaixo do tapete” aquilo que exige confronto. Em um primeiro momento, parece ser o melhor para evitar conflitos e preservar as aparências. Mas esta falsa paz só faz adiar o tratamento do que necessita ser resolvido.
Na nossa vida espiritual, quando varremos para debaixo de tapetes nossos pecados, mágoas ou erros, estamos, na prática, alimentando raízes mais profundas e evitando o agir de Deus. Davi experimentou isto: “Enquanto eu me calei, os meus ossos definharam com os meus gemidos o dia todo. Pois dia e noite a tua mão pesava sobre mim; as minhas forças foram-se esgotando como na seca do verão.” (Salmos 32:3,4).
A omissão não preserva a paz, o silêncio não acalma a dor, e fingir que nada está errado não implica em acerto de contas. O autoconfronto, a confissão e a busca por soluções adequadas e corretas são ferramentas indispensáveis para a restauração. Afinal, tudo o que é exposto diante de Deus, por meio de um coração sincero, arrependido e contrito, pode ser tratado por Ele. E no campo espiritual, não adianta manter uma imagem impecável se, no íntimo, problemas são ignorados e empurrados para debaixo do “tapete espiritual”.
Nos relacionamentos com outros não é diferente. Não podemos evitar confrontos com os filhos quando os educamos seriamente, pois muitas vezes o que ensinamos, quando biblicamente correto, não é o politicamente correto que eles aprendem no meio que circulam. Da mesma forma, no casamento ou na parentela, as questões não resolvidas — como ressentimentos, mágoas ocultas ou atitudes erradas — não desaparecem com o tempo; elas se acumulam, e podem comprometer a saúde familiar, conjugal e emocional.
É claro que muitas situações relacionais precisam ser resolvidas de forma sábia e no tempo apropriado. Mas é certo que, antes de resolver com os outros, precisamos diagnosticar e explicitar nossas dores, pecados e mágoas particularmente. Antes de confrontar os outros, precisamos nos confrontar, confessando diante de Deus e para nós mesmos as nossas falhas e erros.
Não somos isentos de falhas, e precisamos tratar cada uma delas com verdade e humildade. Afinal, “o que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.” (Provérbios 28:13).
Quem se esconde, quem varre suas mazelas, sujeitas, erros, raivas e pecados para debaixo do tapete, impede sua prosperidade emocional e espiritual. Somos chamados para viver de forma plena, e não de forma aparente!
Decida fazer sua faxina. Altere o lugar das coisas que você precisa mudar. Precisamos ser luz, viver na luz, e deixar que Deus revele o que precisa ser ajustado, pois só assim colheremos o melhor desta terra, voltaremos a ter esperança, e seremos restaurados.
Não viva em negação ou culpando outros pelo seu fracasso. Levante os tapetes e não deixe nada em trevas!

Elaine Cruz
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