Desde criança eu gosto de observar nuvens. Quando pequena, como tantas crianças, estudava o formato delas, e sempre tinha o desejo de tocá-las. Lembro-me que, quando eu tinha dez anos, e pela primeira vez pude viajar de avião, me emocionei quando o avião passou pelas nuvens, ultrapassou-as, e eu pude ver as nuvens de cima para baixo!
Nuvens fazem parte do nosso cotidiano, assim como as estrelas, o sol ou a lua. Sabemos que, dependendo de onde estamos no planeta, vemos o sol e a lua em momentos distintos, assim como acontece com as estrelas. Mas as nuvens são mais restritas: não são sempre as mesmas, não são vistas com um mesmo formato por todos, e só serão vistas por um grupo de pessoas que esteja em uma mesma região.
As nuvens são formadas a partir de um processo natural, ligado ao ciclo da água, principalmente por meio da evaporação e condensação. São guiadas pelos gases e ventos, e a velocidade delas pode ser condicionada pela geografia: no estado da Flórida, nos EUA, por exemplo, por não ser montanhoso, as nuvens são mais baixas e mais rápidas, pois não há montanhas para contê-las. Já na cidade do Rio de Janeiro, elas podem ficar condensadas em torno das montanhas, gerando um belo espetáculo. Assim como as nuvens passam, na nossa vida as coisas também passam... e rápido! Assim como os céus enfeitados de nuvens se transformam ao sabor do vento, um dia não é igual ao outro. As situações difíceis, por mais que pareçam infinitas, chegam ao fim.
Da mesma forma como uma nuvem pode ser vista de diferentes ângulos, e parecer diferente em questão de minutos, uma pessoa ou situação de vida precisa ser vista de diferentes ângulos. Sim, as nuvens nos ensinam que ninguém precisa ser rígido ao julgar coisas e atitudes, e que nesta vida terrena nada é eterno.
Nas Escrituras, as nuvens aparecem como símbolos profundos da presença, do cuidado e até do mistério de Deus. Já no deserto, o povo de Israel experimentou, de forma visível, a condução divina por meio de uma nuvem: “O Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho” (Êxodo 13:21). Esta nuvem protegia do calor intenso do deserto, e apontava para a direção e o cuidado de Deus ao seu povo. E quando o tabernáculo foi levantado, “a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo” (Êxodo 40:34), mais uma vez evidenciando a presença divina no meio dos israelitas.
Jesus subiu ao céu em uma nuvem (Atos 1:9), e temos a promessa de que ele voltará “sobre as nuvens” (Mateus 24:30). Nestes episódios, as nuvens apontam para o cumprimento das promessas divinas e ao retorno glorioso de Cristo. Além disso, quando cercados de problemas ou ansiedades da vida, podemos olhar para os céus e nos lembrar de onde virá o nosso socorro!
Precisamos, portanto, observar mais as nuvens do céu, bem como as “nuvens” da nossa vida, mas com uma nova perspectiva. O que nos parece, hoje, estar encoberto ou confuso, pode significar a ação divina de Deus. Dias nublados podem revelar que Deus trabalha quando não vemos, pois o Senhor age a despeito das oclusões.
Portanto, confie. Se seu caminho não está visível, permaneça caminhando. Se houver nuvens impedindo seu olhar para o infinito, lembre-se que não há trevas para Deus!
Há nuvens de Deus sobre a sua vida, e ele sempre estará, soberano, acima das nuvens que nos cobrem. Obedeça à direção apontada pelas nuvens. Abrigue-se na sombra que elas produzem. Usufrua dos belos desenhos com que elas enfeitam e alegram a sua vida.

Elaine Cruz
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