Estamos cada vez mais rodeados por sistemas de princípios conceituais corruptos, estimulando a consolidação de prestígios a indivíduos que não os merecem. Cada vez mais as pessoas estão sendo prestigiadas não por conta de caráter ilibado, nem por falarem a verdade, ou por viverem de acordo com o seu próprio discurso, mas por conta das aparências, de influências políticas ou favoritismos.
A questão do prestígio sem merecimento revela uma distorção de valores. Quando alguém é exaltado sem merecer, cria-se uma estrutura frágil, sustentada por aparências que escondem mentiras e falsidades. Até porque, reconhecer algo que é mentira aponta para um futuro perigoso, em que geralmente a mentira é descoberta.
Jesus confrontou duramente a realidade das aparências, especialmente quando falava sobre os fariseus: “Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens. Fazem seus filactérios bem largos e põem longos enfeites em suas vestes; amam os lugares de honra nos banquetes, os assentos mais importantes nas sinagogas, as saudações nas praças e que as pessoas os chamem ‘Rabi’… Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundícia. Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e iniquidade.” (Mateus 23:5-7, 27-28).
Oposta a esta filosofia, a meritocracia defende que cada pessoa receba aquilo que conquistou por meio de seu esforço, talento e dedicação. Como educadora, não há como administrar as mesmas notas a quem acerta ou erra uma questão. Um aluno dedicado e estudioso merece um conceito diferenciado de um aluno desinteressado no conteúdo ensinado, ou que desrespeita professores (mesmo que ele tenha facilidade cognitiva e tire boas notas).
De forma semelhante, por mais que amemos os filhos igualmente, os filhos obedientes, que trazem tranquilidade e alegria a seus pais, devem ser elogiados e reconhecidos. Quando o esforço, a obediência, a boa educação e o bom caráter não são evidenciados, deixam de ser referência para outros.
Do ponto de vista bíblico, há o princípio claro de que plantar com fidelidade gera colheita. Abraão creu, foi obediente, e isto lhe foi creditado como justiça (Gênesis 15.6). Temos um Deus que valoriza a fidelidade, mesmo quando ela não é vista ou reconhecida pelos homens, porém precisamos compreender que o valor do que somos ou fazemos não está apenas no que é visível, mas na integridade diante de Deus: “E o seu Pai, que vê o que é feito em secreto, o recompensará.” (Mateus 6.4)
O esforço, a obediência, a dedicação e a persistência dos filhos, cônjuges e amigos devem ser valorizados. Nossa obediência gera bençãos de Deus. Nossa fidelidade promove o favor do Senhor. Nossa persistência e dedicação às doutrinas bíblicos nos conduzem ao céu. Contudo, mesmo quando agimos com correção, perdão, amor e justiça, sofremos injustiças e desamor. E por mais que mereçamos, não somos plenos em nossos méritos, nem mesmo para gerir nossa vida, talentos e recursos: “Te lembrarás do Senhor, teu Deus, que é o que te dá força para adquirires riquezas.” (Deuteronômio 8:18).
Quando nosso esforço é reconhecido, precisamos saber lidar com a meritocracia, pois tudo o que temos ou somos não é exclusivamente fruto do nosso próprio mérito, pois até a capacidade de conquistar vem de Deus: “Para o homem, não existe nada melhor do que comer, beber e encontrar prazer no seu trabalho. E vi que isso também vem da mão de Deus. Pois, sem ele, quem poderia comer ou encontrar satisfação? Ao homem que lhe agrada, Deus dá sabedoria, conhecimento e felicidade. Quanto ao pecador, Deus lhe dá a tarefa de ajuntar e armazenar riquezas para entregá-las a quem é do seu agrado. Isso também é inútil; é correr atrás do vento.” (Eclesiastes 2:24-26).
Precisamos aprender a viver com equilíbrio e sabedoria, pois tanto a meritocracia quanto o prestígio humano são limitados. A verdadeira exaltação vem de Deus: “Humilhai-vos perante o Senhor, e Ele vos exaltará” (Tiago 4:10).
Devemos ser esforçados, fiéis, responsáveis e comprometidos com aquilo que fazemos, mas não podemos buscar atalhos que nos coloquem em posições que não correspondam ao nosso caráter. Afinal, muito mais importante do que ser reconhecido pelos homens é ser aprovado por Deus.

Elaine Cruz
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