Vivemos cercados de sons. Alguns nos acalmam, outros nos agitam, e muitos são tão frequentes, que se tornam quase imperceptíveis. Há sons que nos emocionam ao longo de toda a nossa vida.
Como não se emocionar ao rever filmagens que mostram nossos filhos pequenos gargalhando, ou simplesmente falando com um tom de voz infantil que amávamos? Como não ser afetado ao rever filmagens de pessoas que já morreram, e poder ouvir novamente o barulho gostoso da voz ou da risada solta que possuíam?
Há sons que acalmam: o barulho das ondas quebrando na praia, do canto diferenciado dos pássaros, da água da chuva molhando o solo, ou de um louvor que aquece nossa alma e nos prepara para o dia difícil que teremos.
A despeito de muitos não gostarem, eu gosto de ouvir o som do vento cantando entre prédios, o som grave do trovão, do galo anunciando o nascer do sol, ou o som das cigarras anunciando um dia de sol.
Claro que há sons preocupantes, como o de carros de bombeiros se dirigindo para fatalidades, ou o de ambulâncias aceleradas visando evitar a morte de seus ocupantes. E ainda há os barulhos desconfortáveis, de pessoas gritando na rua enquanto tentamos dormir, ou de uma música indecorosa que é tocada em lugares públicos que eventualmente precisamos frequentar, como mercados ou shoppings.
Há sons que acionam nossas memórias individuais. Ao ouvir um violino sendo bem tocado, me lembro da minha mãe, que tocou muitos anos em orquestras. Sempre que ouço um violão me lembro do meu filho que enchia nossa casa de belas melodias. E algumas músicas, alegres ou calmas, sempre me remetem à minha filha, que as cantava o tempo todo, especialmente durante os longos banhos na adolescência.
Gosto do som das turbinas do avião se preparando para decolar, ou do barulho do trem deslizando pelos trilhos, pois me remetem a inúmeras viagens. Assim como gosto do barulho que vem da frigideira quando um frango ou bife está sendo grelhado, ou de talheres se tocando, pois me lembra almoços em família no cotidiano do lar.
O som da fala do meu marido, mesmo depois de quarenta e cinco anos de convivência, ainda ativa meu amor por ele. E o som melodioso de hinos entoados ao longo dos anos trazem estabilidade à minha fé e renovam minhas esperanças nas promessas de Deus.
Certamente você pode ter outros sons peculiares, que estão associados à sua vivência: o apito de um barco anunciando sua chegada no porto, o barulho gostoso de golfinhos ou baleias brincando no mar, ou o conjunto de inúmeros sons emitidos por cachoeiras ou animais em uma floresta.
Agradeça pelos sons que ativam as boas memórias da sua vida. E gere outros: cante mais, faça mais cócegas em seus netos, fale coisas bem-humoradas para seus netos, ouça com mais atenção as vozes de pessoas que amam você.
Produza seus próprios sons, orando em voz alta, conversando amenidades, gargalhando mais sobre coisas simples, ou louvando em alta voz para aquietar sua alma barulhenta.
E, acima de tudo, não deixe de estar atento(a) à voz e ao agir de Deus, que pode se apresentar na forma de som de passos sobre amoreiras (1 Crônicas 14.15); como o som de muitas águas (Apocalipse 1.15); como um barulho de um vento impetuoso (Atos 2.2); ou simplesmente como um murmúrio suave (1 Reis 19.12), que acalma nosso coração acelerado.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

Elaine Cruz
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