Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de trinta anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados”, “Amor e Disciplina para criar filhos felizes” e o mais recente, "Equilíbrio Emocional", todos títulos da CPAD.

Janeiro Branco: um convite para o descanso da alma

O mês de Janeiro chega devagar. 

Ele começa quieto, como alguém que está ainda sonolento, cansado da agitação exagerada do mês de Dezembro. Afinal, são muitas as comemorações e expectativas geradas no último mês do ano, que projetam para o ano seguinte muitas metas e desejos desproporcionais à realidade possível. 

São muitos os que começam o ano desejando acelerar processos, como se todos os projetos necessitassem da urgência de serem concretizados no primeiro mês do ano. Isto faz com que muitos comecem o ano já estressados, tensos por tantas possibilidades. 

Dentro desta perspectiva, o movimento Janeiro Branco, criado em 2014, que busca trazer uma conscientização sobre a importância da saúde metal, se mostra bastante interessante. 

A campanha Janeiro Branco nos convida a olhar para dentro. Em um mundo que cobra produtividade, resultados e força constante, este mês surge como um lembrete silencioso: a alma também adoece, também cansa, também precisa de cuidado. 

À luz da Bíblia, falar de saúde emocional não é sinal de fraqueza espiritual, mas de maturidade diante de Deus.

A Bíblia, sempre tão atual e prática, nos apresenta um belo texto: “Senhor, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim. De fato, acalmei e tranquilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança.” (Salmos‬ ‭131‬:‭1‬-‭2‬). 

Sim. Há momentos em que a alma não precisa correr, mas respirar. Janeiro é esse tempo. Um tempo para parar, sentir e reorganizar metas e expectativas. Um mês para aquietar o coração, nos permitindo pensar e agir com calma e sabedoria. 

Precisamos refletir sobre a vida emocional, pois a dor emocional é real. Homens e mulheres de fé enfrentaram angústias profundas. Davi chorou, Elias pediu para morrer, Jeremias lamentou, e até Jesus, no Getsêmani, declarou: “A minha alma está profundamente triste” (Mateus 26:38). A Bíblia não romantiza a dor emocional; ela a reconhece e nos ensina a levá-la à presença de Deus.

Precisamos pensar em Janeiro Branco como mais uma oportunidade de atenuar as dores das nossas frustrações, sedimentado nossas esperanças em Deus. E necessitamos nos lembrar que Deus está na calmaria, pois nem sempre está no vento forte, nem no terremoto, nem no fogo, mas no sussurro suave (1 Reis 19:12). Janeiro branco é esse sussurro. É Deus falando baixo para que a alma, cansada de tanto ruído, finalmente consiga ouvir.

Talvez você esteja enfrentando este ano com receios. Nos poucos dias vivenciados, já se sente ferido, esgotado, decepcionado consigo mesmo ou com o ano que passou. Mas lembre-se das palavras de Deus: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”. (Salmo 46.10). 

Deixe Deus organizar o que a sua ansiedade bagunçou. 

Viva um dia de cada vez. 

Priorize sua vida devocional.  

Não fique estressado pelo que ainda não chegou, e nem se culpe por não estar “adiantado”. Descanse no tempo de Deus! 

E faça isto não só neste mês, cuja ênfase está na saúde mental. Precisamos, todos os dias do ano, manter a força emocional, buscar a graça divina e renovar nossa fé em Deus, que será sempre nossa rocha firme. Afinal, aqueles que esperam no Senhor, renovam as suas forças, e mantêm a vida emocional sustentada por Aquele que nos ama de forma incondicional!

Valorizar enquanto temos é um ato de maturidade e adoração a Deus. Não sejamos ingratos: sempre estamos cercados de motivos cotidianos que deveriam nos fazer transbordar de gratidão!

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Elaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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