Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de trinta anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados”, “Amor e Disciplina para criar filhos felizes” e o mais recente, "Equilíbrio Emocional", todos títulos da CPAD.

Tragédias Românticas

O romantismo sempre esteve cercado de tragédias e lágrimas. Afinal, um bom drama sempre rendeu bons livros e filmes rentáveis. As pessoas gostam de acompanhar sofrimentos alheios, onde mocinhas sofrem e suspiram por príncipes encantados que, muitas vezes, se revelam sapos.

A busca pela paixão, que é sinônimo de sofrimento, até hoje faz com que haja os chamados crimes passionais, onde morre-se e mata-se por “amor” – quando na verdade o amor está longe destas tragédias, já que amor é algo racional e inteligente, cuja fonte emana do próprio Deus, que jamais incitaria assassinatos, ciúmes, desejo de posse de outra pessoa e planejamento de morte e violência.

Quem ama não mata, não agride, não faz bullying, não menospreza ou diminui o ser amado. Quem ama cuida, zela do outro como zela de si mesmo, tal como o apóstolo Paulo escreve aos efésios, falando sobre como deve ser o amor dos maridos: Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. Da mesma forma, os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja, pois somos membros do seu corpo. (Efésios 5.25-30).

Infelizmente, por mais clara que seja a Bíblia, estamos sempre nos surpreendendo com atitudes de pessoas ditas evangélicas, mulheres e homens, que agridem constantemente seus cônjuges. Em meu consultório, e muitas vezes ao longo de muitas viagens e aconselhamentos em diversas igrejas, já me deparei com mulheres espancadas, e com homens queimados com ferros por suas esposas. Já atendi muitos casais que, em crises de ciúme patológico, diziam abertamente que pensavam constantemente em tirar a vida do cônjuge – que é um desejo derivado de uma ação maligna, mas que encontra eco em mentes fracas e corações duros, e onde, se não houver acompanhamento ou tratamento adequado, o casamento acaba em tragédias irremediáveis.

O mais triste é que muitos não buscam ajuda, e quando são ameaçados, se sentem com vergonha de tomarem uma decisão. Pensam que levar o caso a seus pastores, ou até mesmo à Polícia quando houver violência física, vai ser um ato que acabará envergonhando o Evangelho, suas famílias e/ou seus filhos. Consequentemente, o agressor, acaba ficando cada vez mais forte, protegido pela impunidade, e as agressões físicas e verbais começam a fazer uma escalada, que pode, inclusive, resultar em morte. 

Algumas semanas atrás, todos nós, evangélicos, ficamos surpresos e envergonhados com mais uma notícia triste sobre uma cantora evangélica Sara Freitas Sousa Mariano, de 35 anos. Ela foi encontrada morta, às margens da BA-093, na região de Dias D'Ávila, cidade da Região Metropolitana de Salvador. Ficou desaparecida por três dias e teve o corpo reconhecido pelo marido, Ederlan Mariano, segundo informações da Polícia Civil.

O triste é que o marido, casado com ela há 13 anos, que tinham juntos uma menina de 11 anos, confessou o crime. Ele era responsável por marcar os compromissos da agenda da esposa, além de alimentar suas redes sociais. E, o mais complexo, é que ele se dizia evangélico, acompanhando a esposa em diversos eventos em que ela estava agendada.

Ver um caso deste sendo discutido na mídia, dentre tantos outros que nos envergonham como evangélicos, é muito constrangedor. Mas nos faz pensar sobre a qualidade do ensino bíblico que ministramos, bem sobre a auto estima que precisamos incrementar em nossas meninas. Há muitas que sonham com uma aliança de casamento, mas não observam os frutos abusivos e agressivos de seus noivos ditos crentes. Outros buscam a paixão, e se casam com pessoas nocivas, abusivas e más, que os afastam dos pais, da igreja e de Deus.

Se você observa que seus filhos(as) estão em um namoro infeliz, sem a benção de Deus, que tem tudo para gerar sofrimento, faça de tudo o que puder para livrar seus filhos de vivenciarem tragédias românticas. E se você vive um relacionamento abusivo, busque ajuda. Fale com seus pais, seus pastores, seus líderes e até mesmo, se preciso for, com a Polícia da sua cidade. Reaja enquanto pode evitar uma tragédia, que vai marcar ainda mais seus filhos, sua história e a imagem do Evangelho que pregamos.

Lembre-se que paixões, encantamentos, ciúmes descomunais e agressão física e verbal são parâmetros que apontam para o distanciamento da vontade de Deus!

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Elaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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