Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de trinta anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados”, “Amor e Disciplina para criar filhos felizes” e o mais recente, "Equilíbrio Emocional", todos títulos da CPAD.

Boneca que fala!?

O famoso inventor norte-americano Thomas Edison foi um dos maiores empreendedores da História, sendo responsável pela criação de diversos dispositivos de comunicação, mas ficou marcado pela invenção da lâmpada incandescente, que ajudou a moldar o modelo de energia elétrica que conhecemos hoje.

No final do século 19, o inventor estava empenhado em um projeto de criação de bonecas que reproduziam falas, barulhos e músicas. Ele já havia criado o fonógrafo em 1877 e, animado com a descoberta, quis aplicar essa a tecnologia em brinquedos. 

O que hoje em dia parece banal, por termos muitos barulhos em brinquedos, na época era uma novidade e tanto, e ele realmente acreditava que as crianças pudessem se divertir.

O curioso é que Thomas Edison empreendeu a produção de 7500 bonecas, que reproduziam falas e canções infantis americanas, mas só vendeu cerca de 500 bonecas! Hoje em dia, o produto é considerado extremamente raro, e se tornou peça de colecionador que pode ser encontrada em museus – mas na época as crianças se assustaram e não gostaram da novidade, e até hoje os fatídicos brinquedos são conhecidos por ‘monstrinhos’ de Thomas.

Algumas outras tentativas foram feitas ao longo dos anos para vender bonecas falantes, e alguns museus registram as tentativas, fracassadas ou promissoras. Na década de 60, a fábrica da Estrela lançou no Brasil a boneca Bug bug, que tinha uma caixa de som ativada por uma cordinha. E eu me lembro bem dela, pois por muito tempo a desejei, mas era muito cara para o bolso dos meus pais! 

Na época, me restava olhar para a boneca de longe, mas ao ouvir dos meus pais que eles não podiam comprar, eu me aquietava e me contentava em brincar com minha boneca Suzi e minha Dorminhoca (quem se lembra?!) amarela. Graças a Deus, fui criada aprendendo a ouvir Não, e da mesma forma criei meus filhos! 

Muitos foram os brinquedos que desejei e não ganhei. Meus pais tinham orçamento limitado, e eu cresci compreendendo que ganhar presentes não era tão importante: afinal, eu tinha pais presentes! Meus pais gostavam de cantar, conversavam sobre tudo, e amavam viajar para conhecer lugares.

Sempre havia histórias interessantes a serem contadas, e aguardávamos com curiosidade o momento das refeições em família, onde sempre havia muita conversa e brincadeiras. Falávamos sobre a Bíblia, e íamos de casa aos cultos da igreja a pé, sempre rindo e conversando, sob sol ou debaixo da garoa de São Paulo. 

É por esta razão que me entristeço ao ver tantas crianças que, mesmo tendo aparelhos celulares barulhentos em suas mãos, vivem em silêncio afetivo por não terem pais presentes que estimulem diálogos. Há crianças com quartos lotados de brinquedos, que ganham presentes diariamente, mas que não possuem a presença e afetos constantes dos seus pais e irmãos. 

Precisamos de menos barulho e mais conversa. Nossos filhos e netos merecem menos coisas e mais pessoas. Nossas crianças necessitam de menos bonecos e bonecas falantes, e mais fala humana firme e amorosa. Menos presentes e mais presença!

elaine

Elaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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