Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de trinta anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados”, “Amor e Disciplina para criar filhos felizes” e o mais recente, "Equilíbrio Emocional", todos títulos da CPAD.

Considerando a vida

É raro encontrar alguém que não goste de festa, ou de, pelo menos, comemorar datas significativas para si ou para os que ama, como aniversário dos filhos ou de casamento. E para aqueles que têm família grande ou laços sociais amplos, sempre há convites para celebrações, sejam elas simples ou pomposas.

Quando vamos a uma festa, geralmente vemos convidados empenhados em ser simpáticos, trajando roupas elegantes, e observando detalhes efêmeros, como a arrumação dos pratos, os detalhes da decoração e o cardápio a ser servido. E quando a festa é com nossa parentela, ainda temos a oportunidade de atualizar informações sobre os outros, além de rever pessoas que foram importantes na nossa infância, ou que permanecem sendo referência para nossa vida familiar, profissional ou ministerial.

Festa remete à celebração, onde comemoramos fatos, desejamos aos outros saúde e muitos anos de vida, ou ensejamos sucesso na conquista celebrada. Assim, celebramos vivências, pontos marcantes da vida que usufruímos.

Entretanto, por mais que precisemos celebrar e ser gratos por bençãos que alcançamos em vida, a Bíblia afirma que é melhor ir a uma casa onde há luto do que em uma casa em festa: O dia da morte é melhor do que o dia do nascimento. É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério! (Eclesiastes 7:1,2).

Vivenciar momentos de luto nos faz repensar nossas escolhas de vida. Ir a um velório nos faz considerar o que estamos fazendo com a nossa fácil e perene vida. Observar um corpo inerte nos faz ponderar sobre a vida após a morte. Afinal, passamos 30, 60 ou 90 anos neste planeta caótico, temos a opção de escolher onde passaremos a eternidade, e esta é, sem dúvida alguma, a mais importante decisão a tomar ao longo dos anos que Deus nos permite viver neste frágil vaso de barro que chamamos de corpo.

O Salmo 39 atesta a fragilidade e efemeridade da vida quando afirma: Mostra-me, Senhor, o fim da minha vida e o número dos meus dias, para que eu saiba quão frágil sou. Deste aos meus dias o comprimento de um palmo; a duração da minha vida é nada diante de ti. De fato, o homem não passa de um sopro. Sim, cada um vai e volta como a sombra. (Salmos 39:4-6).

Sim. A vida passa rápido, e nós voamos, como escreveu Moisés, no salmo 90. Ele, Moisés, morreu com 120 anos e teve uma vida excepcional, vivenciando muitos milagres divinos, assistindo ao sobrenatural de Deus junto aos israelitas como nenhum outro homem, e é a própria Bíblia que declara isto: Em Israel nunca mais se levantou profeta como Moisés, a quem o Senhor conheceu face a face, e que fez todos aqueles sinais e maravilhas que o Senhor o tinha enviado para fazer no Egito, contra o faraó, contra todos os seus servos e contra toda a sua terra. Pois ninguém jamais mostrou tamanho poder como Moisés nem executou os feitos temíveis que Moisés realizou aos olhos de todo o Israel. (Deuteronômio 34:10-12)

Entretanto, mesmo tendo vivido de forma tão surpreendente e intensamente, Moisés afirma que os homens são breves como o sono; são como a relva que brota ao amanhecer; germina e brota pela manhã, mas, à tarde, murcha e seca. (Salmos 90:5,6). E é por isso que, ao vivenciar o luto, ou acompanhar os últimos momentos de vida de pessoas que amamos, precisamos considerar nossas escolhas de vida, ponderar sobre nossos caminhos diante de Deus.

No momento que eu escrevo este artigo, estou em mais um destes momentos de consideração. Uma querida mulher da nossa igreja, a quem eu e meu marido tivemos o privilégio de batizar nas águas, vinha lutando contra o câncer, mas faleceu, dormindo, na madrugada deste dia. E por mais que haja lágrimas nos olhos naqueles que se despedem, sei que Deus a levou, e que Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou. (Apocalipse 21.4).

Levemos a morte a sério, pois ela é, afinal, o destino de todos nós – a porta para a vivência da eternidade que escolhemos nesta vida terrena. Portanto, consideremos também a vida, pois quando estamos em Deus, o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento!

elaine

Elaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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