Elaine Cruz

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de trinta anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados”, “Amor e Disciplina para criar filhos felizes” e o mais recente, "Equilíbrio Emocional", todos títulos da CPAD.

Trigo e Joio

Eu sempre prefiro as verdades, mesmo que doam aos ouvidos. Prefiro a distância do outro do que o falso tapinha nas costas. Escolho saber o diagnóstico dos fatos a me enganar com a ilusão de que tudo está bem. Desejo sempre saber a realidade dos sentimentos e expectativas das outras pessoas.

É muito complexo lidar com a dualidade. Trabalhar com um chefe que sorri e brinca entusiasticamente, mas que minutos depois explode sua raiva e descontentamento na presença de todos. Conviver com alguém que diz ser amigo, mas é falso, ou que diz ser crente mas age pior do que o incrédulo.

Há muitos que escolhem seus lados dependendo das vantagens que estes oferecem. Trocam de partido de acordo com a conveniência, abandonam líderes por poderes efêmeros, ou traem pessoas queridas por conta de supostas vantagens que pessoas desconhecidas possam oferecer.

A verdade é que hoje, com a massificação dos costumes, as coisas estão cada vez mais confusas. Antes o ajuste das roupas diferenciavam o masculino do feminino. Os cortes de cabelo eram distintos para homens e mulheres. O linguajar de uma pessoa educada era diferente de uma pessoa sem uma boa educação de berço. O crente se vestia e se comportava de uma forma que, só de olhar ao longe, já sabíamos que era servo(a) de Deus (ou, pelo menos, se vestia como se fosse…).

Sei que os tempos mudam, que os costumes evoluem, e que novos usos e costumes acabaram sendo assimilados na sociedade em geral, inclusive dentro da Igreja Evangélica. Acompanho estes movimentos há mais de cinquenta anos, vivenciando no meu cotidiano os benefícios ou controvérsias que o novo apresenta. Sei que há muito a agradecer, mas me preocupa o quão rápido nossa sociedade está tendendo para o extremo oposto.

Hoje temos pastores falando palavrão em púlpitos de forma a se aproximar da linguagem comum dos membros (!?). Assistimos igrejas ditas evangélicas cantando músicas seculares em seu momento de “louvor" do culto. E vemos pessoas se comportando de forma indecente e imoral, expressando que no âmbito do amor de Deus Ele aceita tudo, inclusive sexo antes do casamento ou morar junto sem casamento civil.

Sim. Este espaço do “tudo pode” é assustador. Sempre que passamos por um pedido de eventos, como festas de Réveillon ou eventos como o Carnaval, nós assistimos, estarrecidos, um grande número de pessoas sendo apresentadas como evangélicas, mas que se comportam ou se posicionam completamente fora dos padrões bíblicos. Não há como concordar que foliões que pulam carnaval cantando músicas consagradas a ídolos, fantasiados com apetrechos de uma escola de samba, são evangélicos. Ou que cantores que entoam canções em trios elétricos, ao lado de puxadores de samba patrocinados por marcas de bebidas alcoólicas, sejam evangélicos!

Ninguém é obrigada a ser nada, temos o livre arbitro para escolher o que ser, o que vestir, o que fazer, aonde ir ou como agir – e a partir das nossas decisões vamos vivenciar as boas ou más consequências das nossas escolhas. O complexo é dizer e não ser, ter uma prática diferenciada do discurso, tentar agradar ímpios e justos, crentes e descrentes. Usar uma linguagem evangélica desprovida do Evangelho.

Cada vez mais o trigo se deslumbra com o joio, e o joio se parece com o trigo, assumindo, inclusive, seus discursos. Mas haverá um dia em que o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles colherão do seu Reino tudo o que causa escândalo e os que cometem iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger de dentes. Então, os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai. (Mateus 13.41-43).

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

elaine

Elaine Cruz 

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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