Judite Maria da Silva Alves

Professora e terapeuta familiar; casada com o Pr.Ailton José Alves (presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco); mãe de três filhos (casados), e avó de quatro netos. Apresenta diariamente, há mais de dez anos, o programa “A mulher e seus desafios” pela Rede Brasil de Comunicação. Lidera o trabalho de Círculo de Oração em todo o estado de Pernambuco e coordena as atividades sociais da IEADPE, que mantém oito Centros de Desenvolvimento Integral Vida em várias comunidades carentes na Região Metropolitana do Recife, onde são atendidas mais de 4 mil crianças.

Vença a Autopiedade

Na era em que vivemos, parece que paira no ar um pedido de ajuda por parte de pessoas diversas, de lugares diversos. Elas, aparentemente, não são treinadas para enfrentarem os desafios da vida; são tão galopantes que não dão tempo sequer a si mesmas para pensarem, veem onde acertaram ou onde erraram.

Por falta de fé, confiança em Deus e resiliência, muitas vezes desenvolvemos pensamentos de miserabilidade, alimentamos uma autocomiseração, ou autopiedade, que é um sentimento de pena de si mesmo. Evidentemente, pode ser algo transitório, mas, geralmente, pode tornar-se parte de quem somos se acalentarmos no interior nossas lamentações. 

Para entendermos o que é a autocomiseração temos que entender o que significa comiseração. Entre outros significados, a comiseração é um sentimento de piedade ou compaixão pela infelicidade de outrem. Evidentemente, a autocomiseração é você sentir pena, dó, lástima de você mesmo. Podemos citar dois exemplos bíblicos de autocomiseração: a do profeta Elias e a do profeta Jonas. É possível questionarmos: como pode um profeta de Deus chegar a tal situação? A Bíblia já nos dá a resposta: Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou com fervor para que não chovesse sobre a terra e por três anos e seis meses não choveu (Tg 5.17). Podemos passar momentos que nos levarão à autopiedade, porque estamos sujeitas a isso. Graças a Deus que Paulo disse: “mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 15.57).

Quando Elias teve esse sentimento de vitimização, de pena de si mesmo acompanhado por desilusão? Geralmente, esse sentimento nos perpassa quando passamos por situações ameaçadoras, ou por traumas profundos. Então, entregamo-nos ao sentimento de autopiedade. Isso é cômodo para nós, acalenta nosso ego. Em vez de nos levantarmos e sairmos ao combate, sentamo-nos e reclamamos. Elias se viu ameaçado por Jezabel. Ele teve medo, se escondeu e quis morrer (1 Rs 19.1-18). O medo é fruto do pecado enraizado em nós e o que disso deriva também. A autopiedade não é apenas um sentimento humano, mas carnal e muitas vezes manipulado pelo inimigo das nossas almas. Pedro incentivou Jesus a ter pena de si mesmo após ter ouvido do Mestre que importava sofrer, e ser morto e ressuscitado ao terceiro dia. Jesus agiu prontamente e nos ensinou que o medo de enfrentar a dificuldade pode ser pedra de tropeço em nossa caminhada rumo à vitória (Mt 16:13-28).

O profeta Jonas quando chegou em Nínive, terra onde não queria ir, e após tentar fugir da presença do Senhor, resolveu obedecer às ordens divinas. Jonas ficou ressentido após ver que o Senhor havia perdoado os ninivitas. Ele queria um Deus que vingasse as suas marcas passadas e não um Deus misericordioso. Ele sentiu-se magoado, irou-se e orou reclamando a Deus por ter sido misericordioso. Tamanha foi a pena de si mesmo que pediu a morte! Ele saiu da cidade e esperava que Deus mudasse de ideia. Sentou-se, e ali Deus fez nascer uma planta em um dia, para lhe trazer sombra, e no outro dia mandou um verme para secá-la. Outra vez, Jonas, com pena de si mesmo por causa do sol que lhe castigava, desejou morrer. Deus, então, lhe pergunta: “É razoável essa sua ira ou seu ressentimento por causa da planta?” Ele respondeu: “é tão razoável que até quero morrer!” Ele estava com pena de si mesmo porque o sol lhe queimava, mas não teve compaixão dos ninivitas! (Leia o livro do profeta Jonas - só tem 4 capítulos). 

Como servas de Deus podemos até sermos vítimas do sentimento de autocomiseração, no entanto o grande desafio é sabermos que esse sentimento e comportamento advindo dele não agradam a Deus. E o que fazer para vencer a autopiedade?

• Quando enfrentar uma dificuldade, pare de se lamentar e murmurar (Nm14.1-3);   
• Mude o foco dos problemas e creia que Deus cuida de sua vida detalhe por detalhe (1 Pe 5.7; Hb12.2);   
• Fortaleça-se no Senhor (Ef 6.12);   
• Seja um instrumento de encorajamento para outras pessoas ( 1Ts 5.11);   
• Deixe a autopiedade e exercite-se na piedade (1Tm 4.8; Fl 2.4);   
• Desprenda-se do seu passado que lhe traz tristezas e dores (Is 43.19).

Querida amiga, se você tem esse sentimento de autopiedade, você leva um fardo muito pesado, pois esse sentimento cresce no autossofrimento para chamar a atenção de outrem. Deus quer te libertar hoje! Talvez uma palavra negativa sobre você que lhe feriu, ou uma experiência que lhe marcou, até mesmo um abuso na infância, tudo isso o inimigo pode usar para tirar proveito dessa dor e para lhe paralisar, deixar você sem rumo, e sem paz a fim de que você não chegue ao lugar da vitória. O sofrimento é o caminho que leva à perfeição e à abundância. Deus sabe o porquê dos acontecimentos e Ele usará todas as coisas para ajudar a levá-la ao lugar espaçoso.

Receba graça e força de Deus, a unção que despedaça o jugo. Deus vai lhe libertar hoje e você passará a viver uma vida de triunfo em Cristo Jesus, exercitando-se na piedade divina que para tudo é proveitosa, porque tem promessa da vida presente e da futura. Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação (1Tm 4.8-9). Desvencilhe-se do caminho da autocomiseração e exercite-se no amor e na piedade cristãs! Tudo ficará bem pra você.

Meu abraço!

 Judite Alves

*A CPAD não se responsabiliza pelas opiniões, ideias e conceitos emitidos nos textos publicados nesta seção, por serem de inteira responsabilidade de sua(s) autora(s).

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